Dia de São João, uma tradição que vale a pena ser vivida!

 


João Camilo, João “de Carlos”, João “de Efia”, João “de Bobóia”, João Alves, João Bispo, João Paulo, João Eduardo e João "Canço". O nome que mais popular do Brasil já não encontra tantos homônimos em Lavras Novas. Ainda assim, a tradição do dia de São João guarda traços e causos dos tempos antigos.


Na noite do dia 23 de junho, por volta das sete horas, todos os moradores do lugarejo acendem fogueiras nas portas das casas. É hora dos vizinhos se reunirem para relembrar histórias e colocar a prosa em dia. O fogo ajuda a espantar o frio. Tudo graças aos pedaços de gravatá, também conhecidos como canela de ema, que substituem a lenha e deixam as chamas mais fortes. Quem olha do alto do morro, fica admirado com o visual iluminado.

Mas o melhor da festa ainda está por vir. Conta a tradição, que cada morador que se chamar João deve oferecer aos “conhecidos” alguma prenda. Logo que as fogueiras são acesas, o povo começa a “peregrinação”. Os amigos vão andando juntos, de casa em casa. A porta da sala está aberta. Na cozinha, os anfitriões esperam as visitas com um bom humor diferente, bem receptivo.

Quem chega, fala alto bem na entrada: - Café de São João!

E os donos da casa respondem: - Pode entrar que tá quentinho!

Dona Efigênia Rocha é mãe de João Eduardo e preparou uma canjica para este ano. Ela conta que, antigamente, preferia fazer um “café com biscoito” para dar aos amigos. “Resolvi mudar o cardápio porque os meninos começaram a trazer uns saquinhos de papel e encher de biscoito para levar na escola no outro dia”, diz achando graça.

Mas não é todo mundo que resolveu inovar. Na casa de João “de Carlos”, Dona Dalva passou um café forte e comprou duas caixas de biscoito de leite, além do refrigerante para as crianças, que estavam mais preocupadas em soltar foguetes e bombinhas. “Hoje já não tem tanta gente com nome de santos. O pessoal prefere colocar esses nomes de novela ou então inventar” lamenta.

Na casa de João Camilo, as mulheres ficam lembrando as festas de décadas passadas. Dona Maria da Paixão diz que, em outros tempos, quando Lavras Novas não tinha energia elétrica, era tudo mais bonito. “A gente ficava perto da fogueira esperando o namorado, que às vezes só aparecia quando o fogo já tinha apagado e só sobravam as cinzas, mesmo assim, depois de muita reza pra São João”, recorda.

O professor João Baptista Drummond mora na Chapada e participou da festa de Santo Antônio, no dia 12, quando os moradores que chamam Antônio também ofereceram canjica e café. João foi tão bem recebido que resolveu voltar. Ele diz que nunca tinha conhecido tantos “xarás” ao mesmo tempo. “Quando era pequeno, queria me chamar Ricardo ou Fernando. Hoje, tenho orgulho de ter um nome tão bonito e popular”, conta.

A festa de São João só terminou quando os pedaços de gravatá já não eram mais suficientes para manter o fogo aceso e espantar o frio. Mas quem não quer esperar o próximo ano para provar a canjica feita pelos moradores de Lavras Novas, tem ainda mais uma chance. No próximo dia 28, será comemorada a festa de São Pedro (as comemorações sempre acontecem na noite anterior ao dia do santo). Vale a pena encerrar o mês de junho “proseando” em volta da fogueira.

 


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